quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Planeta em chamas? O oxigênio que alimentou o fogo ao longo das eras…

Fogo!

Fogo!

Os incêndios que têm assolado vários estados no Brasil recentemente não se comparam aos que infestaram a Terra durante a Era Paleozóica. Naquela época, os níveis de oxigênio na atmosfera terrestre ultrapassavam os 30% (contra os 21% atuais), os insetos eram gigantescos e até as plantas úmidas e verdes alimentavam fogos dezenas de vezes mais freqüentes e vigorosos em comparação aos que atualmente testemunhamos.

Como saber o nível de oxigênio na atmosfera terrestre nas eras passadas?

Os cientistas julgam que as variações nos níveis de oxigênio na atmosfera da Terra estão intimamente ligadas à evolução da vida, com um forte mecanismo de feedback entre a concentração do oxigênio atmosférico, a vida unicelular e a multicelular. Durante os últimos 400 milhões de anos o nível de oxigênio variou consideravelmente em relação aos 21% da concentração atmosférica da atualidade.

Agora, os cientistas do Museu Field de Chicago e da Universidade Royal Holloway de Londres, demonstraram que a concentração de carvão vegetal preservada em antigas, turfeiras, que agora se apresentam como carvão, fornecem uma medida da quantidade de oxigênio disponível na atmosfera do passado. Suas descobertas foram publicadas na revista Nature Geoscience.

Os mega-insetos paleozóicos

Até recentemente, os cientistas confiavam em modelos geoquímicos para estimar as concentrações do oxigênio atmosférico. No entanto, há uma série de modelos concorrentes, cada um com diferenças significativas e falta de uma maneira clara de encontrar uma resposta unificada. Contudo, todos os modelos sugerem que, há cerca de 300 milhões de anos, ao final do Paleozóico, os níveis de oxigênio na atmosfera eram muito maiores do que os atuais. Estas concentrações elevadas têm sido associadas ao gigantismo de alguns grupos de animais, especialmente notadas no ramo dos insetos.

A libélula gigante Meganeura monyi tinha uma envergadura de mais de 1 metro e meio quando o oxigênio da atmosfera terrestre estava acima de 30% de concentração.

A libélula gigante Meganeura monyi tinha uma envergadura de mais de 1 metro e meio quando o oxigênio da atmosfera terrestre estava acima de 30% de concentração.

Como exemplo, a libélula que viveu no período Carbonífero, a Meganeura monyi, com uma envergadura de mais de 1 metro e meio, constitui a personificação deste extraordinário fenômeno biológico. Alguns cientistas pensam que estas altas concentrações de oxigênio atmosférico também podem ter capacitado aos vertebrados proliferarem pela Terra.

A proliferação das plantas sobre a Terra

Os cientistas estimam que esses níveis mais altos de oxigênio foram uma conseqüência direta da colonização da Terra pelas plantas. Quando as plantas realizam fotossíntese estas liberam o oxigênio. Em contrapartida, quando o estoque de carbono armazenado nos tecidos das plantas decai (com os incêndios), o oxigênio atmosférico também se reduz.

Floresta Carbonífera

A floresta Carbonífera era composta por plantas primitivas com sistemas de raízes fracas que caíam com facilidade e se empilhavam.

Para produzir um aumento líquido da concentração do oxigênio atmosférico ao longo do tempo a matéria orgânica deve ser enterrada e assim permanecer, isto é, ficar protegida da oxidação. A colonização da Terra pelas plantas, não só levou ao crescimento de novas plantas, mas também um aumento dramático na quantidade de carbono enterrado. O processo de acumulação do carvão no subsolo foi especialmente alto durante o Paleozóico, quando foram formadas enormes jazidas de carvão.

O paleontólogo e exobiólogo Peter Ward, em abril de 2007, descreveu este cenário na New Scientist:

“Se grandes quantidades de compostos reduzidos são rapidamente removidas do contato com a atmosfera – possivelmente enterrados em zonas de subducção, onde uma placa tectônica mergulha sob outra, ou armazenados em rochas sedimentares no fundo de pântanos úmidos – os níveis de oxigênio livre [na atmosfera] podem explodir.”

“O melhor exemplo disto ocorreu no período Carbonífero, quando vastas florestas acabaram enterradas nos pântanos de carvão. Devido ao fato das árvores serem primitivas possuíam pobres sistemas de raízes, estas caíam facilmente e se empilhavam rápido o suficiente perder o contato com o ar. A madeira é rica em carbono reduzido e assim, como resultado da remoção do contato da matéria orgânica morta com o oxigênio, os níveis de oxigênio livre bateram recordes [no Carbonífero]“.

Evidências do oxigênio abundante que alimentava as queimadas paleozóicas

O Dr. Ian J. Glasspool do Departamento de Geologia do Museu Field, afirmou:

“A concentração de oxigênio na atmosfera está fortemente relacionado ao índice natural de inflamabilidade. Quando a atmosfera atinge níveis do oxigênio abaixo de 15% os incêndios florestais jamais se propagam. No entanto, quando a concentração do oxigênio atinge níveis significativamente acima dos 25%, mesmo as plantas verdes e úmidas podem entrar em combustão. Os cientistas sugerem níveis de cerca de 30% a 35 para a era Paleozóica, onde os incêndios florestais teriam sido bastante freqüentes e catastróficos.”

Os pesquisadores, liderados pelo professor Andrew C. Scott da Universidade Royal Holloway de Londres, demonstraram que o carvão vegetal encontrado amostras de carvão tem permanecido em concentrações de cerca de 4 a 8% nos últimos 50 milhões de anos, indicando a estabilização da concentração do oxigênio atmosférico em níveis relativamente constantes. No entanto, houve períodos na história da Terra em que a concentração do carvão vegetal nas cinzas causadas pelos incêndios florestais chegou a níveis tão elevados de 70%. Este alto valor é uma evidência dos níveis muito elevados do oxigênio atmosférico que teriam promovido muitos incêndios quentes e de grande porte. Esses níveis são encontrados nos períodos Carbonífero e Permiano de 320 a 250 milhões de anos atrás e também no período Cretáceo Médio, cerca de 100 milhões de anos atrás.

A evolução da concentração do oxigênio atmosférico ao longo do tempo. Crédito: Peter Ward & New Scientist

A evolução da concentração do oxigênio atmosférico ao longo do tempo. Crédito: Peter Ward & New Scientist

O paradoxo do oxigênio, do fogo e da erosão

“É muito interessante”, exclamou o professor Scott, “que esta era a época de grandes mudanças na evolução da vegetação terrestre, com o desenvolvimento e propagação de novos grupos de plantas, tais como as coníferas no final do Carbonífero e plantas com flores no Cretáceo.”

De fato, o que intriga os cientistas é pensar que estes períodos de incêndio causados pela alta concentração de oxigênio atmosférico poderiam ter se perpetuado com mais incêndios, o que traria um aumento da mortalidade das plantas e, conseqüentemente, um aumento generalizado da erosão. A erosão acelerada, conseqüentemente, aumentaria o acúmulo no subsolo do carbono orgânico o que, em seguida, teria promovido o incremento das concentrações do oxigênio atmosférico. Paradoxalmente, “o mistério para nós”, destaca Scott, “tem sido a razão dos níveis globais de oxigênio terem aparentemente se estabilizado nos últimos 50 milhões de anos.”

Fontes

  1. Geology Times: Oxygen fuels the fires of time (03/08/2010)
  2. Nature: Polar gigantism dictated by oxygen availability
  3. New Scientist: Oxygen – the breath of life por Peter Ward

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dr. Neil deGrasse Tyson fala sobre o que (NÃO) vai acontecer em 2012

2012: Dr. Neil deGrasse Tyson fala sobre o tema e explica sobre o alinhamento galáctico


Dr. Neil deGrasse Tyson fala sobre o que (NÃO) vai acontecer em 2012

O mundo não vai terminar em 2012…

Dr. Neil deGrasse Tyson, astrofísico americano (Ph.D. pela Universidade de Colúmbia em 1991), um dos maiores divulgadores científicos da atualidade, fala sobre 2012 nessa entrevista. Mas se você ainda tem dúvidas sobre 2012, essa é uma voz conhecida que irá dizer sobre as entidades que estão aí fora propagando o medo e desinformação e ainda por cima ganhando dinheiro ao longo do caminho, vendendo livros e outras bugingangas. Dr. Neil fala sobre tudo que poderia (mas NÃO irá) acontecer em 2012 e explica sobre o alinhamento galáctico tão comentado pelos profetas do apocalipse.

Dr. Neil DeGrasse Tyson

Dr. Neil DeGrasse Tyson

Vejamos a seguir o vídeo da entrevista e a transcrição da sua fala…

A entrevista, na íntegra:

Para facilitar o acompanhamento da entrevista nós fizemos uma transcrição do que Dr. Neil DeGrasse Tyson falou em FORA.TV – The World is Thinking ao responder uma pergunta da platéia sobre o planeta X (Planet X):

Dr. Neil:

- OK! The Planet X today is a marvelous work of fiction.

[ OK! Atualmente o Planeta X é um maravilhoso trabalho de ficção. ]

- Oh yes… Yes, there is no such a thing as planet Nimburu [Nibiru] or whatever they are.

[ Ah sim. Sim. Não existe tal objeto como o planeta Nimburu (Nibiru) ou qualquer objeto similar a isto. ]

- It is just fiction. And they cite sources that cite NASA sources. They don’t cite NASA.

[ Isto é apenas uma ficção. E eles (sites sobre 2012) citam fontes as quais citam fontes ‘fornecidas’ pela NASA. Eles (as páginas na rede sobre 2012) nunca citam a NASA (diretamente). ]

- Check the websites and you will see.

[ Verifique os sites na rede e você verá. ]

- It is all related to the doomsday predictions of the year 2012.

[ Tudo isto está relacionado as previsões do ‘Fim do Mundo‘ do ano 2012. ]

- Yes, that what you’re getting at. It is behind your question, isn’t it?

[ Sim, é isto que você está querendo. Isto está por trás de sua pergunta, não é? ]

- Yes… Yes… YES! You wanna know if the world is gonna end by December 21, 2012?

[ Sim… Sim… SIM! Vocês querem saber se o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012? ]

- Because the same website that tells you about Planet X, hum, the secret planet that has a strong elliptical orbit that will come into our zone in 2012 and knock off our taxes, combined with on December 21, 2012 that the center of the galaxy, the Sun and Earth will come into perfect alignment and the excess gravity will then also knock off our taxes and will end the world as we know it.

[ Porque o mesmo site na rede que informa a você sobre o Planeta X, hum, o planeta secreto que tem uma órbita fortemente elíptica que irá aparecer na nossa zona em 2012 e criar uma crise financeira, (fala também) combinado que em 21 de dezembro de 2012 o centro da galáxia, o Sol e a Terra irão ficar perfeitamente alinhados e o excesso de gravidade também irão criar crises financeiras e será o fim do mundo que conhecemos. ]

- This is what the WebPages will tell you.

[ É isto que as páginas na Internet irão dizer a você. ]

- Hamm, It turns out if you go to December, 21 and look at the sky charts: it’s true! The center of the galaxy the Sun and the Earth will come into perfect alignment. It will. It’s true. It’ true.

[ Hã, acontece que se você fixar a data de 21 de dezembro e olhar nos mapas celestes: é verdade! O centro da galáxia, o Sol e a Terra irão ficar perfeitamente alinhados. Isto acontecerá. É verdade. É verdade. ]

- Well, what the site does not tell you is that it happens every year, on December 21!

[ Bem, o que a página na Internet não informa a você é que isto (o alinhamento galáctico) ocorre todos os anos, em 21 de dezembro! ]

- They leave that out of the account!!!

[ Eles omitem essa informação, deixando-a fora da equação! ]

- So it is a fine work of fiction, arhh, Earth will be here after December 21, 2012.

[ Então isto é um belo trabalho de ficção, ahh, a Terra estará aqui depois de 21 de dezembro de 2012. ]

- I will add that the movie 2012 that is big marketing right now. That will come out in 2012.

[ Eu vou tratar sobre o filme de 2012 que está sendo anunciado agora. Ele virá em 2012. ]

- And they want you to do all their homework for the movie and they say: just Google it…

[ E eles (os divulgadores do filme) querem que você faça todo o dever de casa deles em relação ao filme e dizem: apenas consultem o Google... ]

- If you Google 2012 it is filled of thousands of WebPages on doomsday written by people who didn’t take enough science in school.

[ Se você consultar ‘2012’ no Google, (você irá ver que) ele está repleto com milhares de páginas sobre o dia do ‘Fim do Mundo‘ escritas por pessoas que não aprenderam sobre ciências na escola. ]

- Hamm. They ahh… So if you Google it…

[ Hã, eles ahh, se você consultar o Google… ]

- I saw some of the previous for it and I was worried that we all of us in this business will just be inundated and having a sort of correct misconceptions.

[ Eu vi um pouco sobre a prévia (do filme) e fiquei muito preocupado se todos nós, (especialistas) nesse negócio (astronomia), iremos ser inundados (por uma torrente de dúvidas) e ter que atuar corrigindo esses mal-entendidos. ]

- Then I saw what they actually shown in the movie and the movie is like “aliens come” and “they take over the capital”. Ham ham…

[ E assim eu vi o que eles mostram de fato no filme e o roteiro é algo como ‘os alienígenas estão vindo’ e ‘eles tomaram conta da capital (do Estado)’. Tcham, tcham. ]

- It is all like the movie Independence Day, and that is fine. It is just Hollywood…

[ É tudo parecido com o filme ‘Independende Day’, e está tudo bem. Isto é apenas Hollywood... ]

._._.

O alinhamento galáctico na prática, vamos conferir as cartas estelares?

Para entender melhor o que Dr. Neil explicou, quando ele disse “Look at the Sky charts!”, simulamos abaixo a posição do Sol nos mapas estelares em 21 de dezembro de 2009, 2010, 2011 e 2012. Nestas datas, anualmente, podemos constatar que o Sol está perfeitamente alinhado com o centro da galáxia, de acordo com as cartas celestes.

O centro da galáxia na constelação de Sagittarius {1}

O centro da galáxia na constelação de Sagittarius {1}

21 de dezembro de 2009

21/12/2009 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius. Nota-se a presença de Vênus ofuscado pelo brilho do Sol além de Plutão.

21/12/2009 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius. Nota-se a presença de Vênus ofuscado pelo brilho do Sol além de Plutão.

21 de dezembro de 2010

21/12/2010 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius. Nota-se a presença de Mercúrio ao lado do Sol, além de Plutão (à direita) e Marte (acima).

21/12/2010 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius. Nota-se a presença de Mercúrio ao lado do Sol, além de Plutão (à direita) e Marte (acima).

21 de dezembro de 2011

21/12/2011 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius.

21/12/2011 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius.

21 de dezembro de 2012

21/12/2012 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius.

21/12/2012 - o Sol, anualmente, alinha-se com o centro da galáxia que fica em Sagitarius A, na constelação de Sagitarius.

Referências

AstroPT: 2012 – Fim do Mundo

Eternos Aprendizes:

astroengine.com: 2012

Universe Today:

{1} APOD: The Annotated Galactic Center – Crédito: W. Keel (U. Alabama, Tuscaloosa), Cerro Tololo, Chile

365 Days of Astronomy: Will the World End in 2012?

Seth Shostak do instituto SETI fala sobre o tema 2012 e comenta o filme

Imagem do filme 2012 mostrando o 'fim-do-mundo'. Crédito: Colúmbia Pictures

Imagem do filme 2012 mostrando o 'fim-do-mundo'. Crédito: Colúmbia PicturesDr. Seth Shostak, cientista líder do programa SETI (Search for Extra Terrestrial Inteligence) de busca por sinais de inteligência extraterrestre, fala sobre o tema “2012” e suas implicações e critica o filme que em breve chegará as telas.

O assunto “2012” está começando a invadir a paisagem cultural como uma praga artificial: o fim do mundo estaria a apenas três anos de acontecer.

No final de dezembro de 2012, graças a um alinhamento celestial incomum – ou talvez somente a data de expiração do calendário Maia – nosso planeta será destroçado e arruinado. Veja isso pelo lado positivo: não teremos impostos a pagar em 2013…

2012-Poster

Os produtores de Hollywood (que não perdem uma oportunidade de descobrir um filão de ouro) esperam agitar a quietude habitual terrestre. Assim, um filme bombástico a ser lançado, com o ‘criativo’ título “2012”, irá nos mostrar nas telas como é a beleza visual do fim-do-mundo.

Este imbróglio tem deixado diversas pessoas arrepiadas apesar dos avisos dos cientistas para todos esfriarem suas cabeças de deixarem de lado esta pegajosa mistura de pseudociência e previsões apocalípticas de culturas extintas. O fim-do-mundo não está próximo, meus caros amigos, devemos nos lembrar que rotineiramente o apocalipse tem sido repetidamente previsto por falsos profetas, mas nunca acontece…

Isto não é apenas uma referência para contestar as previsões de futuras ‘aglomerações nos portões do paraíso’ ou outros avisos no estilo dos maus agouros da virada do milênio. Devemos, por outro lado, fazer uma análise crítica e considerar a história da Terra desde o surgimento da vida há quase 4 bilhões de anos. Desde que se firmou em nosso planeta, após o fim do difícil eón Hadeano* da Terra primordial, a vida tem mostrado altamente resistente e persistente: nem asteróides, cometas, explosões de raios-gama, tempestades solares assassinas, mudanças de pólos magnéticos ou supernovas próximas ocasionais conseguiram esterilizar o planeta Terra.

* Na escala de tempo geológico, o Hadeano é éon mais antigo, que começou há cerca de 4,57 bilhões de anos, com o princípio do processo de formação dos planetas do Sistema Solar, e terminou, na Terra, há aproximadamente 3,85 bilhões de anos, quando surgiram as primeiras rochas, marcando o início do éon Arqueano. O nome “Hadeano” vem do grego hades, que significa “inferno”, e foi cunhado pelo geólogo Preston Cloud para o período sobre o qual se tem pouca ou nenhuma informação geológica.

Júpiter e demais planetas: Júpiter sozinho tem 2,5 vezes mais massa que todos os demais planetas somados.

Júpiter e demais planetas: Júpiter sozinho tem 2,5 vezes mais massa que todos os demais planetas somados (Saturno+Urano+Netuno+Terra+Vênus+Marte+Mercúrio).

A idéia que o calendário Maia nos diz quando será o fim-do-mundo é simplesmente patética. Ora, se os Maias fossem tão competentes em adivinhar o futuro, poderíamos concluir que o seu império ainda estaria de pé, vivo e forte, hoje. Além disso, os alinhamentos cósmicos acontecem a todo momento e ninguém nem toma conhecimento. Além disso, que diferença os alinhamentos nos trazem? Que tal calcularmos? o planeta gigante Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, em sua máxima aproximação em relação a Terra consegue atingir uma força de atração gravitacional 20.000 vezes menor que a Terra recebe diariamente do Sol. E tem mais, Júpiter responde por mais de 66% (dois-terços) de toda a massa de todos os planetas somados… Se Júpiter muito pouco nos afeta, muito menos farão os demais planetas.

Assim, exceto para as almas ingênuas que insistem em confundir cinema com realidade, esta situação toda não passa de uma mera tempestade em um copo d’água, certo? Não é justamente isso que a mídia estará escrevendo quando o filme chegar as salas de exibição?

O fator “por-que-agora?“

É claro que sim. Mas existe algo além disso. O fim-do-mundo para os humanos possivelmente irá acontecer pelo menos se considerarmos como precendente o que aconteceu com centenas de milhões de outras espécies extintas na história da Terra. Foi estimado que 99,9% de todas as criaturas que já passaram por nosso planeta são assunto do passado. Em outras palavras, apesar de que de pensamos orgulhosamente que somos os ‘pilares da criação’, somos, na verdade, não mais que a última produção da Natureza. Nossa espécie um dia irá chegar ao fim ou talvez sofra uma evolução. Mas, ISTO NÃO SERÁ EM 2012! E a razão disso é simples e chamamos do fator “por que agora?”. O fator “por-que-agora?” é uma versão temporal do principio enunciado por Copérnico, ou seja, atualmente não é uma época em especial.

Vamos a um exemplo: muitas pessoas se acham convencidas que os alienígenas vêm a Terra para abduzir os humanos. Mas, “por que agora?” Considerando 10.000 gerações de humanos da nossa história, estes aliens estão só agora chamando nossa atenção? A probabilidade disto ser real seria como ganhar na loteria, mesmo que o prêmio não seja tão interessante quanto uma boa quantidade de dinheiro.

O físico de Princeton J. Richard Gott explorou esta idéia por uma década e tanto para entender tudo sobre as escalas de tempo cósmicas. Um cálculo simples de Gott seria algo como isso: adotando a filosofia do “por-que-agora?” podemos afirmar com 98% de certeza que a humanidade não está nem abaixo de 1% da sua existência nem acima de 99%. Calculando os resultados desta premissa vemos que nossa espécie ainda tem algomo como 2.000 a 20.000.000 de anos a frente.

Seth Shostak

Seth Shostak

Assim estes cálculos numéricos não incluem nossa ruína em 2012.

Mas sempre há alguns que poderiam argüir que a regra do “por-que-agora?” não se aplica a humanidade por que nós estamos interferindo com o mundo. Qualquer um pode citar esquemas possíveis de auto-destruição, que nos transformaria em material de exibição para museus no futuro tais como: mudanças climáticas, guerras nucleares, pandemias ou até mesmo o mau uso e o fim de recursos essenciais. Tão ruins quanto estes problemas contemporâneos podem ser, é difícil argumentar que estas possíveis ameaças poderiam exterminar a biologia da face da Terra.

E em qualquer caso os tipos de cenários de ‘fim-do-mundo’ examinados em filmes como este “2012” não são destruições geradas pelos humanos. São enfim calamidades lúgubres causadas por fatores externos absurdos (exemplo: alinhamentos galácticos perturbadores). Para tais fenômenos externos que tanto deixam os leigos preocupados o principio do “por-que-agora?” se aplica perfeitamente.

Pensar diferente disso é o mesmo que assumir que é o Cosmos que gira em torno da Terra ou que a Terra é o centro do Universo… e isso era uma idéia obsoleta de 500 anos atrás.

Fontes e referências

Space.com:

Explicações científicas sobre 2012:

Universe Today:

365 Days of Astronomy: Will the World End in 2012?

Histeria em massa!

Editorial da revista australiana Cosmos Magazine, número 28, por Wilson da Silva, em agosto de 2009

Abdução por alienígenas?

Abdução por alienígenas?

Desde as especulações selvagens nos mercados financeiros até a crença que os alienígenas estão nos visitando, nós humanos somos propensos a todo tipo de ilusões tanto pessoais quanto em massa, assim tem acontecido durante séculos…

Por que há gente que acredita em fenômenos tais como os ÓVNIS, abduções alienígenas, cirurgia psíquica e fantasmas, quando as provas são tão escassas e pouco convincentes?

Cidônia, a face em Marte, mostrada pela Viking à esquerda e pela Mars Express, à direita

Cidônia, a face em Marte, mostrada pela Viking à esquerda e pela Mars Express, à direita

Por que algumas pessoas insistem, por exemplo, que existe uma “face” em Marte quando já foi demonstrado que trata-se apenas um truque de luz e sombras. Por que há gente que acredita que os círculos nos campos de cereais são artefatos alienígenas quando os embusteiros que criaram estes engenhosos enganos já nos demonstraram como os construíram?

Círculos criados nos campos de cereais

Círculos criados nos campos de cereais

Por que há gente que segue insistindo que existiu no passado uma civilização avançada, uma nação perdida, conhecida como Atlântida, quando há legiões de arqueólogos que afirmam categoricamente que não existe nenhuma pista ou prova da sua existência? E aqueles que acham a acupuntura ou a homeopatia conseguem tratar os grandes males da humanidadee, quando um grande número de estudos confiáveis demonstra o contrário?

Sabemos que as percepções humanas tendem a ser pouco confiáveis: simplesmente escute os testemunhos de diferentes testemunhas de um incêndio ou um acidente no trânsito e você se questionará se estão descrevendo efetivamente o mesmo evento. Mas, por que tanta gente se vê atraída pelas teorias da conspiração ou mesmo as supostas profecias do boticário francês do século XVI Michel de Nostredame (mais conhecido por todos como ‘Nostradamus’)?

Sabemos, ao longo da história, que as ilusões coletivas de fato ocorrem: os sociólogos Robert Bartholomew e Erich Goode detalharam como as crenças falsas ou exageradas em geral podem surgir de forma espontânea, espalhar-se rapidamente por uma população e temporariamente afetar uma região, cultura ou até mesmo uma nação inteira.

Crises econômicas

Em geral a conhecemos (imprecisamente) como ‘histeria coletiva’ e existem muitos fatores que contribuem para o nascimento e expansão de tais ilusões coletivas. Estas incluem os rumores, extraordinária ansiedade pública ou excitação coletiva, as crenças culturais ou os estereótipos compartilhados e a amplificação destes pelos meios de comunicação em massa, assim como algumas ações de reforço eventualmente realizadas por autoridades e formadores de opinião, tais como os ditadores, os políticos, a polícia ou até mesmo os militares.

Charles Mackay, o jornalista escocês e editor do jornal Illustrated London News, escreveu como o povo é sugestionável em seu livro de 1841, Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds (Memorando de extraordinários engodos populares e a loucura das multidões).

Pamfleto de 1637 - "Mania das Tulipas"

Panfleto de 1637 - "Mania das Tulipas"

O assunto que Charles Mackay descreve está claro que não consiste apenas de um tema acadêmico ou de sugestão para uma conversa interessante em alguma festa: há casos modernos de destruição de empregos, companhias e até economias. A crise financeira global, que agora reverbera em toda a economia mundial, começou com uma selvagem e irrestrita dívida que todo mundo sabia que era insustentável, uma vez que dependia dos endividados quitarem dívidas relativas a quantias que claramente estavam além das suas posses. Não seria isto uma massiva ilusão coletiva?

Tulipas muito, muito caras…

Entre tempos de bonança e crises econômicas, em ciclos que temos entrado e saído tantas vezes, podemos ver que este mesmo comportamento ilusório entra em jogo repetidas vezes. Mackay nos recorda no capítulo 3 algo que é perturbadoramente familiar: no pico da “mania das tulipas”, nos Países Baixos, em fevereiro de 1637 os contratos de vendas futuras destas flores eram vendidos por mais de 10 vezes o salário anual de um hábil artesão e em algum ponto da crise ofereceram cinco hectares de terra em troca de um único bulbo da tulipa Semper Augustus. Vejamos mais detalhes a seguir:

O termo mania das tulipas ou ‘tulipamania’ é aplicado metaforicamente a qualquer bolha especulativa de grande escala, que passa da euforia ao pânico, até culminar em uma crise econômica. A expressão está ligada a um episódio da História dos Países Baixos: a crise das tulipas, gerada na República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos, durante o século XVII, quando um bulbo de tulipa passou a ser vendido pelo preço equivalente a 24 toneladas de trigo. O ápice dessa crise ocorreu entre 1636 e 1637. Charles Mackay conta uma história da época:

Um rico mercador havia comprado por 3.000 florins (~280 libras esterlinas) uma rara tulipa Semper Augustus que em algum momento desapareceu de seu depósito. Depois de vasculhar todo o depósito, ele viu um marinheiro, que havia confundido o bulbo da tulipa por uma cebola, comendo a tal tulipa. O marinheiro foi prontamente preso e passou seis meses na prisão.

Tomada de Jerusalém em 1099 durante a Primeira Cruzada

Tomada de Jerusalém em 1099 na Primeira Cruzada

Cruzadas!

Dos infrutíferos séculos de estudo sobre a transmutação de elementos em ouro até a queima de bruxas em Salem; Da loucura do século XVII em usar imãs para curar os males até as sangrentas campanhas militares de 200 anos das Cruzadas e seu impacto social, econômico e político de grande alcance – as ilusões coletivas tem sido uma constante ao longo da história humana.

Abduções Alienígenas?

Mas estes fenômenos também entram em jogo de forma individual, desde os contos de abduções alienígenas (que são notavelmente similares as histórias de abduções por demônios em séculos passados) a relatos de cirurgias psíquicas e a ilusão pessoal de que a homeopatia cura os males. Em alguns casos, a ‘abduções’ poderiam ser explicadas através de uma enfermidade que apenas recentemente começamos a compreender: a paralisia do sono.

Somos “caçadores-coletores”?

Talvez não devêssemos nos surpreender com as nossas limitações. “Em nosso interior nós somos caçadores-coletores”, disse o físico Robert Park, autor do livro Superstition: Belief in the Age of Science (Superstição: as Crenças na Era da Ciência). “O cérebro que nos permite escrever sonetos e resolver equações diferenciais tem mudado pouco em 160.000 anos. A ciência nos tem transportado para um mundo repleto de viagens em jatos e com comunicação eletrônica, mas nosso cérebro permanece ainda conectado com os instintos dos nossos ancestrais selvagens que lucraram em sobreviver na selva do Pleistoceno”.

Para a alquimia, transmutação é a conversão de um elemento químico em outro. Este conceito é também aplicado com características próprias na genética e na física nuclear. Desde os primórdios da alquimia ocidental, acreditava-se que era possível a transmutação de metais vis - como o chumbo, antimônio e bismuto (apesar de não os distinguir como elementos distintos) - em metais nobres - como a prata e principalmente o ouro. Em geral, especialmente ao longo de sua evolução, isso era tomado tanto em um sentido material como espiritual. Com o florescimento do conhecimento científico, constatou-se que a transmutação alquímica, conforme defendida pelos alquimistas, é improvada. Por outro lado, este fenômeno ocorre na natureza espontaneamente quando certos elementos químicos e isótopos possuem núcleos instáveis. Em tais elementos, se produzem fenômenos de fissão nuclear , que se transformam em novos elementos de números atômicos inferiores, até que os seus núcleos se tornem estáveis ( geralmente adquirindo a estabilidade do chumbo ). O fenômeno contrário, a transmutação em elementos de números atômicos maiores, dá-se em temperaturas elevadas, como as que são registradas no sol. Este processo é denominado de fusão nuclear. Estes processos naturais podem ser produzidos pelo homem. Já foi realizada a transmutação de chumbo à ouro, retirando 3 prótons e 8 neutrons por meio de bombeamento em aceleradores de partículas.

Para a alquimia, transmutação é a conversão de um elemento químico em outro. Este conceito pode também ser aplicado com características próprias na física nuclear. Desde os primórdios da alquimia ocidental, acreditava-se que era possível a transmutação de metais vis, como o chumbo, antimônio e bismuto em metais nobres, como a prata e o ouro. Com o florescimento do conhecimento científico, constatou-se que a transmutação alquímica, defendida pelos alquimistas, é impossível. Por outro lado, este fenômeno ocorre na natureza espontaneamente quando certos elementos químicos e isótopos possuem núcleos instáveis. Em tais elementos são produzidos fenômenos de fissão nuclear que se transformam em novos elementos de números atômicos inferiores, até que os seus núcleos se tornem estáveis. O fenômeno contrário, a transmutação em elementos de números atômicos maiores, dá-se em temperaturas e pressões muito elevadas, como as existentes no núcleo do Sol, onde o Hidrogênio se funde gerando o Hélio. O processo que ocorre no interior das estrelas é denominado de nucleossíntese estelar.

O Mundo Assombrado pelos Demônios…

“Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo” — Carl Sagan

“Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo” — Carl Sagan

Mas existe uma esperança: e pode encontrá-la na ciência. No excelente livro The Demon Haunted World (O mundo assombrado pelos demônios – A ciência vista como uma vela no escuro) de 1995 sobre pensamento crítico e as ilusões que assolam a humanidade, Carl Sagan defende que o método científico e a clareza das idéias podem ajudar-nos a superar este pensamento obscuros.

Pensar de forma crítica e clara, disse Sagan: “é o meio… mediante o qual uma idéia profunda pode ser separada da profunda insensatez”. Defende que “é muito melhor aferrar-se ao Universo como este realmente é, que persistir em uma ilusão, não importa quão satisfatória e reafirmada esta seja”.

Além do método científico, Sagan oferece um conjunto de ferramentas para o pensamento crítico, que chamou ironicamente de “o Kit de detecção de camelos”: constrói um argumento racional baseado nas evidências e mantém-se aberto a reconhecer uma falácia ou um argumento fraudulento que contradiga as evidências existentes.

Navalha de Ockham

Busca uma confirmação independente de qualquer fato e quando as teorias tentam explicar exatamente as mesmas coisas, aplica-se a “Navalha de Ockham”: o princípio que disse que, ao tratar de se explicar um fenômeno, deve-se fazer as mínimas suposições possíveis, uma vez que em geral a explicação mais simples é a correta.

Sagan sugere formas de detectar “as falácias mais comuns da lógica e retórica” tais como aceitar um argumento simplesmente se baseando em que procede de alguém com autoridade ou acreditar em alguém que se baseia em estatísticas de uma amostra com poucos argumentos. Finalmente, a ciência não é uma resposta em si mesma, a ciência é uma ferramenta que ajuda a encontrar as respostas que nós buscamos.

Fontes

Cosmos Magazine:

David Morrison: Carl Sagan’s Life and Legacy as Scientist, Teacher, and Skeptic

2012: Don Yeomans, cientista da NASA e coordenador do programa NEO, explica o que não vai acontecer em 2012

Don Yeomans, cientista e pesquisador sênior da NASA, responsável pelo programa de busca de asteróides potencialmente perigosos (NEO) publicou um artigo falando a respeito das verdades científicas sobre os alegados eventos de 2012.

Don Yeomans é cientista sênior na NASA e coordenador responsável pelo programa NEO de busca por asteróides perigosos.

Don Yeomans é cientista sênior na NASA e coordenador responsável pelo programa NEO de busca por asteróides perigosos.

Aparentemente há uma grande dose de interesse das pessoas em objetos celestiais, suas localizações e trajetórias ao final do ano de 2012 Eu pessoalmente adoro um bom livro ou um filme, tanto como você. Mas é importante ressaltar que o que estamos vendo no ciberespaço, na TV e nos cinemas sobre 2012 não é baseado em ciência. Existe até um falso website com ‘notícias da NASA’ na rede…

Veja abaixo o vídeo da sua entrevista sobre 2012:

Assim, tendo em vista estes fatos, apresentaremos aqui a realidade científica sobre os eventos celestiais previstos para o ano de 2012.

Em 16 de dezembro de 1992, 8 dias após um flyby pela Terra no seu caminho com destino a Júpiter, a espaçonave Galileu voltou suas câmeras para a Terra a uma distância de 6,2 milhões de quilômetros e capturou esta fantástica visão da Lua em órbita da Terra. Crédito: NASA/JPL

Em 16 de dezembro de 1992, 8 dias após um flyby pela Terra no seu caminho com destino a Júpiter, a espaçonave Galileu voltou suas câmeras para a Terra a uma distância de 6,2 milhões de quilômetros e capturou esta fantástica visão da Lua em órbita da Terra. Crédito: NASA/JPL

1. Nibiru, um objeto de grande porte em direção da Terra, simplesmente não existe!

Não existe nenhuma evidência confirmada – seja por telescópio ou por outros meios – que suporta a existência de tal objeto Nibiru. Também não há nenhuma evidência de quaisquer efeitos gravitacionais em quaisquer dos outros objetos (planetas, luas, asteróides, cometas, etc…) do sistema solar. Eu pessoalmente até gosto do nome “Nibiru”. Se eu for comprar um peixinho dourado para por em meu aquário (e farei isto em algum momento no inicio de 2013), “Nibiru” certamente estará na minha lista de nomes a dar ao peixinho :) .

2. O calendário Maia não termina em Dezembro de 2012

Assim como o calendário que nós temos na parede de nossas cozinhas e que não cessa no dia 31 de dezembro, o calendário Maia também não termina em 21 de dezembro de 2012. A data coincide simplesmente com o fim do período de ‘contagem – longa’ dos Maias, mas depois (da mesma forma que nossos calendários se reiniciam no dia 01 de janeiro) um novo período de ‘contagem – longa’ irá se iniciar para o calendário Maia.

3. Não há previsões de eventos astronômicos catastróficos em 2012

O Sol possui uma atividade cíclica com um período aproximado de 11 anos e a ocorrência do ciclo de máximo solar está prevista para ocorrer iniciando no período de 2010 a 2012. Entretanto, rotineiramente, a Terra pode enfrentar alguns períodos de intensa atividade solar, por eras, sem sofrer efeitos catastróficos. O campo magnético terrestre, que desvia as partículas iônicas carregadas emitidas pelo Sol de fato pode sofrer reversões em seus pólos a cada 400.000 anos, mas não existe qualquer evidência que uma reversão, que toma milhares de anos para se concretizar irá iniciar-se em 2012. Mesmo que um processo de reversão de milhares de anos estivesse hipoteticamente para ocorrer (não está!), tal jamais iria afetar a rotação da Terra nem tampouco a direção do eixo de rotação terrestre. Só mesmo o Super-Homem conseguiria fazer isso :) .

4. Os únicos empurrões gravitacionais que a Terra experimenta são provocados apenas pela Lua e pelo Sol

Não há alinhamentos planetários previstos para as próximas décadas. A Terra não irá cruzar o plano do disco da galáxia em 2012 e mesmo se tais alinhamentos porventura ocorressem, os efeitos na Terra seriam absolutamente desprezíveis. No mês de dezembro, em todos os anos, a Terra e o Sol se alinham de forma aproximada do centro da nossa galáxia, a Via Láctea. O ‘alinhamento galáctico’ é um evento comum que ocorre todos os anos, que não tras nenhum impacto em nosso planeta.

5. As previsões sobre o fim-do-mundo ou mudanças dramáticas a ocorrer em 21 de dezembro de 2012 são todas falsas.

Falsas ou incorretas previsões de ‘fim-do-mundo’ já foram antevistas diversas vezes nos últimos séculos na história humana. Os leitores devem ter sempre em mente, como disse Carl Sagan, que “alegações extraordinárias sempre necessitam de evidências extraordinárias” para suportá-las.

Para quaisquer alegações de desastres ou mudanças dramáticas por vir em 2012 , a responsabilidade de provar pertencem as pessoas que fazem estas suposições.

Onde está a ciência por trás das alegações? Onde estão as evidências comprobatórias? Não existem explicações plausíveis. Tratam-se de anúncios histéricos, irracionais :( , persistentes e até lucrativos, pois acarretam a venda de livros, filmes, documentários, bugigangas ou até mesmo propaganda comercial através da Internet. Estas falsas alegações não podem mudar os fatos reais: não existe nenhuma evidência confiável para quaisquer das supostas previsões de eventos incomuns a ocorrer em Dezembro de 2012.

Para mais informações sobre as tolices acerca de Dezembro de 2012 eu recomendo ler:

No vídeo a seguir David Morrison, astrobiólogo da NASA, fala sobre o tema 2012:

._._.

Fontes e referências

Don Yeomans, NASA, topics, Earth

Explicações científicas sobre 2012:

Universe Today:

365 Days of Astronomy: Will the World End in 2012?

Seth Shostak do instituto SETI fala sobre o tema 2012 e comenta o filme

Hubble e o objeto de Hoag, uma rara galáxia anelar

O objeto de Hoag é uma estranha galáxia anelar? Crédito: : R. Lucas (STScI/AURA), Hubble Heritage Team, NASA

O objeto de Hoag é uma estranha galáxia anelar? Crédito: R. Lucas (STScI/AURA), Hubble Heritage Team, NASA

Ao olhar a foto acima vemos uma galáxia ou duas? Esta questão surgiu em 1950 quando o astrônomo Art Hoag descobriu este anômalo objeto extragaláctico.

Na área exterior vemos um anel dominado por estrelas azuis brilhantes, enquanto que próximo ao centro nós notamos um esferóide com estrelas avermelhadas que aparentemente são muito mais antigas.

Entre as duas estruturas existe um vão que nos parece completamente negro.

A explicação sobre como este objeto de Hoag se originou permanece um enigma para os astrônomos. No entanto, objetos similares têm sido ultimamente identificados e rotulados coletivamente como uma forma de galáxia em anel.

Curiosamente, quando anunciou sua descoberta em 1950, Art Hoag sugeriu a hipótese de que o anel visível era um gerado a partir de lentes gravitacionais. Esta idéia foi depois descartada porque tanto o nucleo galáctico e o anel externo têm o mesmo desvio para o vermelho.

A hipótese geral sugere ocorrência de uma colisão galáctica há bilhões de anos e efeitos gravitacionais de uma barra central de estrelas que desapareceu deste então. A foto acima foi capturada pelo Hubble Space Telescope em julho de 2001 e revela detalhes sem precedentes do objeto de Hoag, o que aprimorou nosso entendimento sobre esta incomum galáxia em anel.

O objeto de Hoag tem 120.000 anos luz de diâmetro e reside a 600 ± 30 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação da Serpente (Serpens).

Coincidentemente, visível no vão dentro do anel (1 hora) encontramos outra galáxia em anel que se destaca no fundo, bem mais distante.

Fontes e referências

  1. NASA/ESA/Hubble: A Wheel within a Wheel
  2. Hubblesite: A Wheel within a Wheel
  3. APOD: Hoag’s Object: A Strange Ring Galaxy – Crédito: R. Lucas (STScI/AURA), Hubble Heritage Team, NASA
  4. AstroPT: Galáxia em Anel

Conjecturas sobre anãs marrons, discos protoplanetários e a formação de exoplanetas

Paisagem de um exoplaneta orbitando uma anã marron (anã castanha, em Portugal). As anãs marrons emitem sua radiação no espectro próximo do infravermelho, praticamente fora do espectro visível. Crédito: Vistapro Landscape Imagery Rendered by Jeff Bryant

Paisagem de um exoplaneta e sua exolua, orbitando uma anã marron (anã castanha, em Portugal). As anãs marrons emitem sua radiação no espectro próximo do infravermelho, praticamente fora do espectro visível. Crédito: Vistapro Landscape Imagery Rendered by Jeff Bryant

Sistemas exoplanetários em torno das tênues anãs marrons (em Portugal: anãs castanhas) são sempre um tema intrigante, algo fascinante para se contemplar.

Para que você conheça a imaginação vívida do futuro das atividades humanas em tais exoplanetas, sugerimos a leitura do romance de ficção científica Permanence de Karl Schroeder, lançado em 2002.

Capa do romance Permanence de Karl Schroeder

Capa do romance Permanence de Karl Schroeder

Permanence

Schroeder postula uma criativa e intricada engenharia para manter em operação as bases em tais mundos, e ainda sugere um modo de propulsão interestelar movidos por suas energias que sustenta e permite a expansão da cultura da conquista de novos sistemas exoplanetário. Vejamos a seguir uma pequena amostra do universo de Schroeder (não o suficiente para ser um spoiler, caso você venha a comprar o livro):

“ …Cada uma das anãs marrons possui o seu séquito de planetas – ou mundos halo, como vieram a ser chamados. Embora estes mundos não sejam visíveis ao olho humano, muitos desses planetas existem banhados em radiação quente infravermelha. Muitos destes foram esticados e aquecidos pelos efeitos das marés, como Io, uma lua [vulcânica] de Júpiter e um dos lugares mais quentes do Sistema Solar. E enquanto o campo magnético de Júpiter já é forte o suficiente para aquecer as suas luas através da indução elétrica, o campo magnético de uma anã marrom cinqüenta vezes mais massiva que Júpiter tem uma potência irradiada – energia suficiente para aquecer mundos. Energia esta suficiente para sustentar uma população de bilhões, o bastante para lançar naves espaciais.”

Ficção especulativa tem sugerido novas maravilhas à medida que nós aprendemos mais e mais sobre anãs marrons. Novas descobertas estão chegando o tempo todo, cada vez mais rápido. Uma das razões disto é que estamos ficando cada vez mais competentes em detectar estes furtivos objetos cósmicos.

Em 2006, Katelyn Allers (Universidade do Texas em Austin) e colegas publicaram uma lista de dezenove anãs marrons candidatas, todas elas recém formadas. Destas 19, apenas uma foi agora confirmada como uma estrela de baixa massa ou um objeto sub-estelar. Allers e equipe foram capazes de usar dados do Spitzer para buscar excessos de infravermelho, que é onde começa nova intrigante historia. O excesso no infravermelho destes sistemas é provavelmente causado pela presença de discos circumestelares, levando-nos a pensar o quão pequeno um objeto pode ser e ainda conseguir reter um disco de acresção.

anã marrom disco protoplanetário e planeta Crédito: Gemini Observatory, L. Cook

Anã marrom, seu disco protoplanetário e um exoplaneta gigante gasoso. Crédito: Gemini Observatory/Lynette Cook

Discos protoplanetários

O pensamento atual sugere que esses discos protoplanetários, provavelmente, não se formam em torno dos objetos centrais com massa inferior a algumas vezes a massa de Júpiter (MJ). Contudo, o fato de que as anãs castanhas jovens são mais luminosas e, portanto, bem mais fáceis de detectar do que as anãs marrons mais maduras, significa que podemos encontrá-las focando nos berçários estelares para estudar a formação do disco em volta destes objetos sub-estelares de baixa massa.

Exatamente isto é o que Paul Harvey, também da UT-Austin, fez, em colaboração com Allers e sua equipe para estender os resultados iniciais Spitzer para níveis de luminosidade mais baixos. Níveis estes que deverão permitir a detecção de objetos com emissão tão fraca como os corpos com 2 MJ. Seu trabalho tem usado as imagens mais profundas do Spitzer de uma área na região de formação estelar Ophiuchus já conhecida por trabalhos anteriores, onde há evidência da presença de objetos mais jovens que têm idades de até um milhão de anos.

Qual foi o resultado da pesquisa? Foram encontrados 18 novos candidatos a anãs marrons, com magnitudes na faixa do espectro próxima ao infravermelho e cores normalmente esperadas para tais objetos, além do excesso eventual de infravermelho, consistente com a possível presença de um disco circunvizinho.

No artigo “A Spitzer Search For Planetary-Mass Brown Dwarfs With Circumstellar Disks: Candidate Selection” os autores declararam:

“A partir de uma amostra inicial de 605 objetos em Ophiuchus que foram selecionados pelos critérios fotométricos originais A06 entre 1 e 3,6μm, foram identificados 18 candidatos que têm magnitudes no espectro do próximo do infravermelho e cores consistentes com fotosferas sub-estelares frias com possíveis excessos em 5,8μm que possam ser compatíveis com as emissões de disco de matéria circunvizinho. Nossa amostra amplia o trabalho do [critério original] A06 para luminosidades da ordem de 10-4 L☼, um fator de 10 abaixo dos limites anteriores.”

“A contaminação de nossa amostra por campos anões de fundo na faixa brilhante de magnitude e por objetos extragalácticos nas magnitudes mais fracas é passível de ser significativa. É aceitável que pelo menos metade dos nossos candidatos possua tais contaminantes. A fotometria com filtro de banda estreita em andamento, no entanto, mostrou que pelo vários dos nossos candidatos são susceptíveis de serem anãs marrons de baixa massa, com discos circunvizinhos. É provável que ainda existam candidatos no nosso conjunto de dados, apesar dos problemas com a emissão difusa a 5,8 μm e 8μm na região que torna difícil de confirmar claramente muitos mais candidatos a disco [protoplanetário].”

WISE vai revelar novas anãs marrons?

Se até mesmo as diminutas anãs marrons, normalmente tendem a se formar com discos de acresção, o processo para formação de exoplanetas em torno desses objetos estelares é reforçado. Tendo em vista que as anãs marrons são consideradas cada vez mais comuns (a missão WISE vai nos ajudar muito na avaliação da existência das anãs marrons, veja aqui o porque), podemos estar olhando para hospedeiras de sistemas extrasolares de uma classe que só recentemente começamos a imaginar. O novo trabalho estende o estudo anterior de Allers para luminosidades por um fator de dez abaixo dos limites anteriores, dando-nos novas informações sobre como objetos estelares menores podem ser formar com discos de acresção, a partir dos quais podem se formar companheiros exoplanetários.

Fonte

O artigo acima é uma tradução livre (com adaptações editoriais e complementos), baseada na fonte e nos artigos científicos, abaixo:

Centauri Dreams: Thoughts on Brown Dwarfs, Disks and Planets

Artigos Científicos

ArXiv.org:

  1. A Spitzer Search For Planetary-Mass Brown Dwarfs With Circumstellar Disks: Candidate Selection Autores: Paul M. Harvey, Daniel T. Jaffe, Katelyn Allers, Michael Liu
  2. Second generation planets Autor: Hagai B. Perets